Estava agora praticamente decidida a mudar. Mas como? Como podia aprender a melhor forma de voltar a contactar com as pessoas? Não fazia a mínima ideia de como o podia fazer, mas sabia que tinha de fazer alguma coisa.
As coisas simplesmente vão acontecendo e eu não tenho como impedi-las senão a lutar por elas. Mais um rapaz, mais uma desilusão, mais um afastamento sem razao, mais uma revolta, mais uma confusão, mais uma necessidade cada vez maior de encontrar um refúgio para onde fosse possível fugir, mas também de onde fosse possível voltar com a solução. Não sou, nem nunca fui, capaz de entender o que se passa. Porque está a acontecer isto constantemente, e porque, por mais que tente mudar o que acho que está errado, aconteça sempre o mesmo. Nesta última, nem tenho uma resposta, nem muito menos uma explicação, quanto mais um "descuilpa", fui simplesmente atirada para fora desta viagem, sem sequer dar por isso, sem entender porquê, porque foi o que aconteceu, a coisa mais simples do mundo, silenciosa, surpresa, transparente, intocável e impenetrante. Apareceu do nada sem ninguém senão quem a fez estar à espera. Eu não dei por ela chegar, e ainda não acredito que aqui está. Junta novamente com a solidão, a revolta e a tristeza, as quatro a passearem atrás de mim como fantasma, sentam-se agora à minha volta enquanto me ajudam a escrever o inesplicável sentimento que eu própria não consigo reconhecer.